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Esse conto é dedicado ao Tatuador, lobo_da _estepe, fromking e outros tantos que aguentam meus delírios de escritora,

Aviso aos navegantes: este conto nada tem a ver com a vida real e nenhuma opinião emitida aqui é realmente minha, sendo exclusivamente dos personagens embora seja inegável que certos fatos aqui relatados são de fato odiosos.
Expressões e “Aberrações”
Era mais uma madrugada fria em Buenos Aires. O inverno se encontrava no seu auge, afinal.
Padre Mariano Díaz fazia mais um plantão de madrugada, à base de muito café, pois era nas noites de inverno que a maior parte das pessoas chegava à igreja para pedir ajuda ao religioso. Atendia a cada uma com profundo amor e carinho. No entanto, naquela noite, não havia muitas pessoas para serem atendidas. Ele aproveitou para continuar estudando sobre as criaturas que não raramente aterrorizavam as grandes cidades do mundo há pouco menos de quatro décadas. E agora andavam pela capital argentina: as Expressões.
Ninguém sabia ao certo o que eram ou de onde elas surgiram embora a primeira história conhecida datasse de 1972. Inclusive tinha ficado famosa, ainda que com inúmeras adaptações, em um daqueles sites cuja função era pegar desavisados de surpresa com histórias de terror tidas como reais. Se bem que aquela tinha sido real embora Padre Mariano não tivesse exatamente ideia do ocorrido embora Gregorio costumasse falar sobre uma tal “Creepypasta”. Um site contendo as mais variadas histórias de terror e que nela havia algo parecido com a história que o religioso sabia por cima.
O padre, mesmo sendo um tanto avesso àqueles avanços, resolveu dar uma olhada na tal página usando um dos computadores do café lan house próximo à paróquia. O local era 24 horas e o dono sempre o deixava usar de graça em razão do respeito nutrido pelo jesuíta Díaz. O site em questão surpreendeu o padre. Viu-se perguntando de onde as pessoas tiravam tanta imaginação. Se elas pudessem imaginar que a vida real era bem mais assustadora...
- Caramba... – disse ele reconhecendo a figura no post que se chamava “La Inexpresiva”*. Era claramente uma montagem, mas a feição era muito parecida com a descrição que ele tinha lido e a semelhança ficou ainda maior depois que o texto embaixo da foto foi lido: - Isso é loucura. E ainda, quem escreveu isso cometeu uma blasfêmia daquelas. Ah se eu soubesse quem foi o infeliz que escreveu isso, ia dar um belíssimo sermão nele.
- Que foi padre? – o dono do local ouviu algo do que o religioso havia dito.
- Nada, eu já terminei aqui. Só precisava saber de uma coisa – respondeu Mariano levantando-se do computador escolhido e reparando, ainda que não encarasse diretamente, em um estranho aspecto do dono da loja não visto antes: as costas das mãos cheias de tufos grossos e grandes de pelos escuros. Aquilo só podia ser sinal de um vampiro aberrante (possuidor de sangue de demônio).
- Tudo bem. Quer um café? Imagino que você tá fazendo plantão até as cinco – disse o dono sorrindo.
- Pode ser. Gracias, Paco – o padre sentou-se e esperou dois minutos até ser servido de um fresco e delicioso cappuccino que costumava ser a especialidade da casa depois das medias lunas com recheio de doce de leite.
O religioso vagarosamente bebeu o café enquanto Paco ausentou-se para fazer alguma coisa, decerto disfarçar os pelos das mãos que podiam chamar atenção. Mariano terminou a quente e encorpada bebida que afastava o sono quando forte e resolveu, afinal, confrontar o dono do local sobre quem ele realmente era, já que fazia um tempo que o jesuíta andava desconfiado do fato do proprietário nunca aparecer na loja antes que a noite caísse.
Existiam, no entanto, outros dois motivos para a desconfiança do padre: nenhuma vez Díaz vira Paco Garcés comer ou beber durante as quermesses, às vezes noturnas, que eram as que ele ia, organizadas pela comunidade para arrecadar donativos para crianças carentes e/ou com algum tipo de câncer ou doenças variadas. E o fato de que ele não falava nada sobre sua vida antes de chegar ali, há pelo menos uma década. E outra suspeita que o padre não ousou falar em voz alta em razão da polícia já andar metida naquela investigação desde a história ter começado, nove anos antes.
Mariano já subia a escada para o andar de cima quando escutou um horrendo guincho que parecia vir de fora. Tratou logo de puxar a arma de balas bentas trazida consigo. Ficou com seu crucifixo à mão, descendo degrau a degrau até chegar à entrada que dava acesso à loja. Viu algo muito parecido com a criatura do post que tinha lido minutos antes, porém, com um diferencial no mínimo absurdo: pelo menos duas dezenas e algo de marcas de projétil espalhadas pelo corpo, por sua vez estava coberto de sangue, como descrevia o texto antes visto.
O religioso se perguntou que horror era aquilo. Pessoalmente era ainda pior do que o texto, já que ele claramente podia ver o rosto sem nenhum traço de emoção. Menos ainda tinha sobrancelhas, cílios ou pálpebras. Embora aquilo mais parecesse um manequim de loja, os movimentos eram de uma pessoa normal. Apesar de ser impossível ver um único traço de qualquer parte do corpo debaixo daquele manto branco.
De repente, o padre se viu perto de dar um berro ao ver uma mão saindo do traje e bater no balcão como se estivesse chamando. Estava longe de ser algo comum: a mesma parecia estar em estado avançado de decomposição, senão pelas longas unhas que faziam no móvel um barulho insistente e perturbador. Mariano Díaz se viu tentado a atacar a criatura, mas preferiu esperar e ver o que ela ia fazer.
Enquanto a coisa permanecia parada, Díaz repassou o que já tinha lido sobre as Expressões: a aparência de manequim, o alongado e sangrento manto branco. E o fato um tanto ilógico, pelo menos na primeira vez que se lia sobre, das criaturas surgirem de fantasmas perturbados pelo fato de não terem conseguido seu descanso eterno. No entanto, era incompreensível como tal fato acontecia, pois era impossível, pelo menos em teoria, fantasmas serem capazes de assumir forma corpórea.
Se bem que, considerando o que o padre já havia testemunhado em anos caçando criaturas malignas, era incapaz de duvidar da veracidade daquilo embora tal coisa fosse, por si mesma, a mais absurda contradição. Foi quando o rosto se metamorfoseou em alguém que Mariano conhecia até demais...
- Isso tem que ser piada – pensou ele mais para dentro do que de costume.
Mariano Díaz lembrava-se daquela maldita manhã de 1973. Daria qualquer coisa para nunca mais ter pesadelos com aqueles vinte e três tiros. Com todo aquele sangue na calçada. Os gritos de quem havia visto tudo ao vivo e a cores. Rubras e viscosas que até hoje o perturbavam. As coisas, porém, que mais atormentavam o padre, era o fato de que os culpados nunca haviam sido punidos. E a história não oficial ser ainda mais perturbadora que a conhecida pelos livros de História.
Os chamados “Montoneros” andavam contando com a ajuda de vampiros de “alto escalão”. E os malditos, quando não mandavam subordinados, algumas vezes “metiam a mão na massa”. O religioso recordava-se de quando o governo militar dos anos setenta ordenara, em segredo, a perseguição e captura dos chamados “Caçadores”. Os humanos nascidos com o poder para detectar e caçar criaturas sobrenaturais. Ele próprio havia sido vítima de tal perseguição e passara pelo menos dez anos fugindo pelo país e adjacentes junto da mãe. O motivo? O governo planejava criar uma “tropa de elite” secreta usando tais seres com o objetivo de manter perpetuamente o governo militar.
Os safados militares haviam dado a desculpa, quando assumiram o poder, de que apenas queriam combater os comunistas. Era compreensível, pelo menos inicialmente, considerando que o comunismo comprovadamente não passava de uma ideologia sem nenhum propósito decente embora o capitalismo por si só não fosse aquela maravilha dita por muitos. O problema, no entanto, era que tinha sido desnecessário fazer toda aquela bagunça, incluindo deixar o país arruinado e especialmente, meter gente que nada tinha com isso em torturas e morte. “A noite dos lápis” era um desses muitos fatos. E Díaz conhecia cinco daqueles jovens.
E com prazer, ele e seu professor, Padre Jacó, haviam caçado alguns daqueles desgraçados torturadores ou apoiadores para entregá-los às autoridades. Embora tivessem tido que matar um deles, que estava sendo apoiado por um vampiro, de quem seu mestre padre tirou a cabeça usando uma cimitarra de duas lâminas.
Parou com as lembranças quando o “fantasma corpóreo” virou-se na direção dele, porém, o mesmo só o observava sem proferir uma única palavra enquanto Paco descia a escada: - Imagino que você está perguntando muitas coisas, meu amigo religioso. Uma delas é sobre quem sou eu. E aposto que a outra é sobre o que ele faz aqui.
- Eu... testemunhei a morte... do Rucci. Tinha acabado de fazer dez anos quando aconteceu. Foi horrível – respondeu ele repentinamente abalado com aquelas lembranças.
- Posso entender o seu abalo, Mariano. Ver esse tipo de coisa não é fácil para alguém, especialmente quando você tem o “gene” do Caçador – disse Paco para o total espanto de Díaz, que confirmou sua suspeita sobre ele ser um aberrante. Apenas esse tipo de vampiro era capaz de detectar um como o padre embora vampiros rastreadores fossem capazes de fazê-lo, mas sem a mesma precisão. Apesar de que os tipos aberrantes eram um ocorrido raro, pois o surgimento de um resultava em caçada quase imediata da criatura para exterminá-la, pois elas costumavam ser perigosas e incontroláveis.
Entretanto, Paco Garcés não se parecia nada com “perigoso” ou “incontrolável”. Embora os casos de alguns notórios arruaceiros da comunidade intrigassem a polícia desde nove anos antes. Pois sempre que um desses queria “botar banca”, aparecia brutalmente surrado e com incontáveis hematomas pelo corpo e rosto. E as “vítimas” sempre tinham um aspecto em comum: eram pessoas violentas, alcóolicas e não raras vezes tinham histórico policial de violência doméstica, inclusive agredindo suas esposas quando com elas viviam. E a polícia não achava nenhuma pista que levasse a algum suspeito.
Agora, contudo, ele estava certo de que Paco era o responsável por esses crimes, mas, o importante no momento era descobrir o que exatamente Rucci fazia ali naquela forma sinistra e o que ele esperava olhando tão fixamente o padre...
- O antigo dono desse lugar era amigo dele. Os dois eram muito apegados um ao outro e ele sempre vem aqui para tentar falar com ele, mas o Padre Jacó enviou o espírito para o eterno descanso, coisa que o Rucci não sabe por que as Expressões não conseguem detectar esses acontecimentos – respondeu o vampiro que logo depois pôs a peluda mão sobre o queixo:
- Parece que ele deseja ir ao outro lado, no entanto, você não pode lidar com isso sem ter um artefato especial. Eu te aconselho, por agora, a exorcizá-lo tocando nele com sua cruz. Rucci vai passar uns meses sem se transformar, mas...
- Eu sei. Li sobre isso durante a noite. Acho que por enquanto não tenho escolha – disse ele aproximando-se da “coisa” vagarosamente enquanto a mesma voltava ao rosto inexpressivo e abria um sorriso que assustou um bocado o padre: os dentes enormes e afiados que tornavam impossível fechar a boca sem causar um “rasguño” na mandíbula. Certamente pensava em rasgar alguém no meio, considerando que a apodrecida mão levantava-se como que pronta para um ataque enquanto a outra, em um estado tão horrível quanto a anterior, fazia um movimento parecido.
Foi quando o religioso colocou a cruz sobre o peito e recitou o Salmo 91 da Bíblia Sagrada mais a Oração de São Francisco para em seguida lançar o objeto sagrado sobre a criatura, que soltou um horrendo urro de dor com o contato. Em seguida voltou a ser uma criatura incorpórea que logo saiu em desabalada corrida pela rua, causando a impressão de que uma ventania por ali passava.
Aliviado, Padre Maríano Díaz se viu exausto depois daquela loucura e achou melhor voltar à igreja para dormir, despedindo-se de Paco cordialmente. Olhando-o, porém, como se dissesse: eles ainda teriam uma séria conversa. Ao que o dono da loja retribuiu com um enigmático sorriso.
“La enigmática sonrisa” que era vista por alguém...
- “El invierno se acerca”.
Personagem histórico:
Personagem não-histórico: Paco Garcés: Um vampiro da mesma "espécie" de Augusto Vandor, dono de um passado misterioso, incluindo seu nome real, que será conhecido em outro conto que eu ainda não titulei.
Expressionless (La inexpresiva), lenda na qual me baseei para criar os monstros mostrados no conto: http://creepypastas.com/la-inexpresiva.html" onclick="window.open(this.href);return false;
*: Sim, eu gosto do George R. Martin, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
PS*: Expressionless no original em inglês.